Blog

  • Uma belissima mensagem do Mestre Michio Kushi

    3 de maro de 2009

     

    Os alimentos controlam até mesmo o destino das pessoas

     

     "Os alimentos controlam o destino".

     

    Estas são palavras ditas pelo Professor Mizuno Namboku, um filósofo da era Edo, que editou um livro com o mesmo título. Desde aquela época, ele voltou seus olhos para a importância dos alimentos e sabia que os sentimentos e a vida de uma pessoa podiam ser mudados como bem quisessem, com a alimentação.

     

    Dizem que o Professor Mizuno Namboku era mestre da fisiognomonia (arte de ver o caráter e o destino das pessoas através da fisionomia) que atuou no Japão no Shogunato Tokugawa, tendo sido um jovem muito agressivo com quem pouquíssimas pessoas conseguiam lidar. Ele vivia furtando trocados para poder comprar bebidas e a sua aparência não gerava nenhuma credibilidade. Um dia foi preso, acusado de assalto.  E, quando, já liberado da prisão, andava despreocupadamente por uma estradinha, deparou-se com um “adivinho”.

     

    O “adivinho”, espantado com a fisionomia de Mizuno Nambuko, foi logo dizendo: "Ei você, venha cá. Se você continuar com estes sinais no rosto, só terá mais um ano de vida. Não há salvação, esses sinais são muito ruins".  A fisionomia de Mizuno Namboku era marcada com traços tão fortes de infortúnio que assustou o “adivinho”.   

     

    Namboku ficou apavorado e na esperança de haver alguma salvação perguntou ao “adivinho” se existiria alguma forma de mudar este destino. Então, o adivinho contou-lhe que a única forma de se salvar era "transformar-se em um monge budista".

     

    Prontamente, Mizuno Namboku se dirigiu a um templo e pediu ao sacerdote que o aceitasse como um discípulo. O sacerdote, entretanto, olhou para a aparência dele e julgou que o mesmo não tinha condições de se tornar, tão logo, um monge. Então determinou que ele se submetesse a um processo preparatório, durante um ano. Essa preparação consistia em, durante um ano, comer somente soja e arroz integral misturado com cevada, além de movimentar bastante o corpo e dedicar-se a um trabalho pesado.

     

    Concluindo que nada poderia substituir a garantia de sua vida, Mizuno Namboku logo iniciou o processo de preparação. Obedecendo as determinações do sacerdote tornou-se um estivador no cais do porto, alimentou-se somente de soja e arroz integral com cevada e trabalhou arduamente por um período de um ano. Ao final desse período, Namboku saiu novamente em direção ao templo disposto a tornar-se um monge, quando no meio do caminho encontrou aquele mesmo “adivinho”.

     

    O “adivinho” logo viu que os traços do destino de Namboku haviam melhorado muito. Ele disse que morrer já não estava eminente.  Essas palavras mudaram a vida de Mizuno Namboku.  Ele decidiu então tornar-se um “adivinho” ao invés de monge budista. A partir de então, Namboku passou a dedicar-se nos estudos da fisionomia.  Para acumular experiências na interpretação da fisionomia das pessoas passou a trabalhar como um "sansuke" (antigos empregados de banhos públicos que ferviam a água das banheiras e ajudavam os clientes a se banharem) como parte de seu processo preparatório. Passou três anos de sua vida esfregando as costas dos clientes, ouvindo suas histórias enquanto analisava a fisionomia e desenvolvia a capacidade de observar a natureza humana.

     

    Depois, trabalhou durante mais três anos como assistente de cabeleireiro, aprofundando-se em seus estudos observando as diversas feições e as formas físicas das pessoas. Dentre os clientes, haviam pessoas felizes, infelizes, ricas e pobres. Conversando com elas sobre temas diversos a sua capacidade de observação foi se desenvolvendo a olhos vistos.

     

    Não satisfeito em observar apenas as pessoas vivas, passou a trabalhar como vigia do crematório. Assim ele poderia observar os cadáveres. Observando o aspecto dos ossos depois de cremados, os familiares dos falecidos, os corpos abandonados dos indigentes, entre muitas outras coisas, Mizuno Namboku percebeu que havia uma diversidade muito grande de detalhes no aspecto dos cadáveres.  Ele concluiu que o corpo dessas pessoas, já incapazes de dizer uma palavra, de alguma forma contava a história de suas vidas.  

     

    Como mais um passo do processo preparatório Namboku fez uma grande peregrinação por todo o Japão. Andou de cidade em cidade, tornou-se aprendiz de vários mestres fisionomistas e dedicou-se ao estudo da literatura clássica chinesa visando absorver mais e mais conhecimentos.

    Após concluir um longo período de aprendizado e preparação, Mizuno Namboku retornou à cidade de Edo e começou a atuar como fisiognomonista.  Logo a sua fama alastrou-se pelos povoados e tornou-se uma celebridade procurada por muitas pessoas.

     

    Porém, pouco tempo depois, o Namboku deparou-se com um obstáculo. Enquanto dava consultas às várias pessoas que o procuravam, ele percebeu que havia alguns pontos contraditórios entre estas pessoas e os estudos que fizera até então.  Ele observou que dentre as pessoas que tinham traços da felicidade, estranhamente, havia muitas que eram infelizes, com saúde frágil, ou sofriam por causa de problemas familiares.  Também havia pessoas com traços que indicavam, de acordo com os seus estudos, total infortúnio, mas que na realidade tinham uma vida feliz,  uma família feliz, filhos saudáveis e posses.

     

    Por causa destes casos que contrariavam os seus estudos, Mizzuno Namboku empenhou-se em rever a literatura clássica e todos os ensinamentos que recebera, para descobrir onde estava o seu erro.  Nada o fazia convencer até que um dia descobriu a resposta: Sim, era o alimento!

     

    Pela primeira vez, Mizuno Namboku entendeu que não se pode julgar uma pessoa apenas por meio da sua fisionomia e dos ensinamentos escritos nos livros. Pela primeira vez ele percebeu que os alimentos ingeridos por uma pessoa transparecem em sua fisionomia e no seu comportamento e que são os alimentos que definem tudo em sua vida, desde a felicidade ou infelicidade, o estado de saúde, até o relacionamento com outras pessoas.

     

    A propósito, havia dentre as obras literárias da antiga Índia, muito apreciadas pelo Professor Mizuno, uma que se chamava "Upanisad". No capítulo intitulado "Taitalia" continha as seguintes palavras:

     

    "Tudo tem sua origem no alimento e tudo retorna ao alimento. Aquele que conhecer os segredos dos alimentos adquirirá o domínio sobre a felicidade e a infelicidade, tornando-se também capaz de guiar as  pessoas do mundo inteiro. Todavia, aquele que desconhece os segredos dos alimentos sofrerá com a infelicidade, vindo a destruir sua vida ... aquele que reina sobre todas as demais pessoas é o homem que conhece a verdade sobre os alimentos".

     

    Antes de iniciar o movimento da macrobiótica, eu mesmo fiquei observando atentamente a fisionomia e as atitudes das pessoas que passavam pela 5ª Avenida e outras ruas de Nova York.  Cheguei à conclusão de que os seres humanos são formados pela influência do ambiente em que vivem e dos alimentos que comem. Naquela época eu ainda não havia me dado conta que a dica já havia sido dada, tanto por meio das obras do Professor Namboku Mizuno como também na literatura da antiga Índia.

    Categoria:
    Tags:
     

Facebook