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22 de julho de 2010

Diabetes é responsável por 9% das mortes

Diabetes causa 330 mil mortes por ano na América Latina. Em duas décadas o número de diabéticos passará de 285 milhões para 438 milhões no mundo. Brasil, que figura entre os 10 países com maior índice de diabéticos, vem obtendo resultados promissores com realização da Cirurgia do Diabetes

SÃO PAULO [ ABN NEWS ] - As complicações causadas pelo diabetes são responsáveis por 9% de todas as mortes registradas na América Latina e no Caribe -cerca de 330 mil pessoas irão morrer em 2010 por causa da doença, de acordo com estimativas da Fundação Mundial de Diabetes e da Federação Internacional de Diabetes. O número de diabéticos deve aumentar em 65% na América Latina nos próximos 20 anos. A estimativa é de que cheguem a 30 milhões o total de casos latino-americanos nas duas décadas e que aumente de 285 milhões para 438 milhões o número de pessoas com a doença no mundo, de acordo com o levantamento da Fundação Mundial de Diabetes divulgado no início de julho durante a Conferência sobre Diabetes para a América Latina, realizada em Salvador.

O Brasil figura entre os 10 países com maior percentual de diabéticos, com 6,4% da população geral. Ao lado de outras doenças crônicas não transmissíveis, o diabetes é um dos principais desafios da área da saúde.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças crônicas causam 35 milhões de óbitos por ano ou o equivalente a 60% das mortes no mundo, 80% dos quais ocorreram em países de baixa ou média renda.

O Brasil figura atualmente na vanguarda do conhecimento sobre o procedimento que vem sendo denominado mundialmente como Cirurgia do Diabetes. Enquanto vários países ainda estão na fase de desenvolvimento de protocolos científicos, os cirurgiões brasileiros já vem realizando o procedimento para tratar a doença em obesos com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 35, conforme regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM). “Os resultados dos estudos nacionais e internacionais são bastante promissores. No último estudo cientifico divulgado acompanhou pacientes que realizavam tratamentos convencionais e grupo que foi submetido a cirurgia do Diabetes. Dois meses após o início do estudo, os pacientes que realizaram o procedimento cirúrgico não necessitavam mais de medicações para controlar a doença”, afirma Thomas Szegö, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Três tipos de cirurgia são comprovadas como eficientes no controle do diabetes: a banda gástrica ajustável, o by-pass gástrico e as derivações bilio-pancreáticas. As técnicas que criam um atalho para o alimento, que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino, alteram a secreção de alguns hormônios intestinais, como p.e o GLP-1, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo no controle do diabetes tipo 2.

Segundo Dr. Szego, os bons resultados da cirurgia para o controle do diabetes tipo 2 devem-se, basicamente, a dois fatores: a perda de peso do paciente e, principalmente, a alterações hormonais. “Ficou cientificamente comprovado que com estas técnicas conseguimos controlar o diabetes da grande maioria dos pacientes”, afirma o presidente da SBCBM.

De acordo com o CFM, a cirurgia do diabetes pode ser indicada no tratamento de pacientes diabéticos tipo 2, com IMC (Índice de Massa Corpórea - peso dividido pela altura ao quadrado ) acima de 35. Ainda está em estudo pelo CFM a liberação do procedimento para pacientes com IMC entre 30 e 35. Para pacientes com o IMC abaixo de 30 a cirurgia ainda não é indicada, porém o Brasil desponta como o país que mais investe em estudos para adaptar o método que irá beneficiar pacientes não obesos.

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